ESCREVO A VIDA

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Poema do Náufrago






Vento oriental

Que  se levanta do deserto
Forte, impetuoso, devastador
Sopra a tempestade
E quebra no coração dos grandes mares


Espírito que vem dos quatro ventos
Dar vida aos mortos no vale dos ossos secos
Sopra o hálito e o fôlego
Injeta  carne e sangue nas veias 


Eu te conduzi por grandes águas
Como capitão do teu destino
Icei a vela
Trouxe calmaria a tua tempestade

Mas duvidastes de mim
Colocaste  meu nome à prova
Como um vômito em vão

Deixarei teu barco ir
Junto à correnteza
Tuas mercadorias, teus bens e teus marinheiros
Se afundarão no seio dos grandes mares
Revoltosos como tua alma

Porque  te  assentaste na cadeira de Deus no meio dos grandes mares
E disseste: Que mal há?
Não passas de  homem e não Deus

Tu não enxergarás a luz do dia porque teu coração virou manto de trevas
E teu ventre alimento dos chacais
Porque te elevastes como um deus
E confiastes nas tuas riquezas e com elas se elevou o teu coração

Quem ousa ser maior que Deus?
Que louco será?













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