Amigos iluminados.Criei este Blog com meus poemas e poemas de pessoas que admiro, bem como músicas e vídeos também.Façam uma visitinha .Pra quem curte e gosta de poesia aqui é parada obrigatória.A vida precisa de poesia.
ESCREVO A VIDA
ESCREVO A VIDA
quarta-feira, 27 de abril de 2016
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Poema do Náufrago
Vento oriental
Que se levanta do deserto
Forte, impetuoso, devastador
Sopra a tempestade
E quebra no coração dos grandes mares
Espírito que vem dos quatro ventos
Dar vida aos mortos no vale dos ossos secos
Sopra o hálito e o fôlego
Injeta carne e sangue nas veias
Eu te conduzi por grandes águas
Como capitão do teu destino
Icei a vela
Trouxe calmaria a tua tempestade
Mas duvidastes de mim
Colocaste meu nome à prova
Como um vômito em vão
Deixarei teu barco ir
Junto à correnteza
Tuas mercadorias, teus bens e teus marinheiros
Se afundarão no seio dos grandes mares
Revoltosos como tua alma
Porque te assentaste na cadeira de Deus no meio dos grandes mares
E disseste: Que mal há?
Não passas de homem e não Deus
Tu não enxergarás a luz do dia porque teu coração virou manto de trevas
E teu ventre alimento dos chacais
Porque te elevastes como um deus
E confiastes nas tuas riquezas e com elas se elevou o teu coração
Quem ousa ser maior que Deus?
Que louco será?
Por que as estrelas não caem?
A criança pergunta ao pai
Pai, por que as estrelas não caem?
Crianças sempre com perguntas tão diferentes e incríveis
O astrônomo olha pro céu e faz a mesma pergunta:
Ciência, me explica por que as estrelas não caem?
Estudiosos sempre trazem na cabeça grandes pontos de interrogação
Quem terá a resposta?
A mulher que sempre pergunta mais, que é detalhista demais, tentará achar a resposta
Sobre as estrelas, sobre Gaia, sobre a mãe Terra e sobre o infinito
A mulher geradora de vida
A virgem imaculada que concebeu sem pecado
A prostituta redimida que surgiu mais alva que a neve no meio do seu manto escarlate
A maga,a freira, a moça, a velha, a feiticeira.
Perguntam: Por que as estrelas não caem?
Todas conseguem ver o que não se pode ver
Ouvem o que não se pode ouvir e não entendem o que é preciso entender
Lá na beira do rio, o índio olha pro céu e pergunta:
Tupã, por que as estrelas não caem?
E ele sente o fluir da energia do universo
E logo vem na simplicidade do falar
No descortinar do espírito
Blowin'in the Wind
Soprando no vento
Uma energia misteriosa
Que sustenta tudo
E evita que o Cosmos entre em caos
Não é uma força sem sentido
É um poder pessoal
O poder da criação
O poder da transformação
Por que as estrelas não caem?
A resposta é simples: Porque Ele não deixa
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Não quero nada pela metade
Não quero nada pela
metade
Não quero amor pela
metade
Não quero carinho
pela metade
Não quero beijo pela
metade
Não quero sexo pela
metade
Se for pra ser a
metade
Eu me basto por
inteira
E me desnudo na teia
do meu próprio desejo
No clímax do meu orgasmo
No meu cheiro
No meu tato
No meu ego
Serei meu próprio
amante
Não quero nada pela
metade
Marido pela metade
Namorado pela metade
Vinho pela metade
Sorvete pela metade
Eu sou inteira
Não fracionada
Eu sou intensa
Não camuflada
Eu sou minha própria fera adormecida
Nos expurgos da minha
alma
Que anseia por seu
única
Por ser tua
Por ser mulher
terça-feira, 12 de abril de 2016
Saída
Renata Idalgo
Tudo tem uma saída
Um jeito
Um rumo
Um afeto
Um afago
A saída está alí
Do outro lado da montanha
Na brisa leve
No mar revoltoso
A saída está longe
Há léguas de distância
Há 200 metros
Há 2 minutos
A saída está incerta
Ora segura
Ora perigosa
Ora fantasiosa
Do outro lado
Há uma saída
A saída dos magos
A saída dos frades
A saída dos duendes
A saída dos anjos
Que riscam o céu de estrelas com seus pés
A saída é logo alí
Depois do rio
Depois da fonte
Depois da fome
Depois do coito
Depois de tudo
Vou sair
Vou recomeçar
Vou sair
E me isolar
De novo
Na ostra do meu destino
Pra ser um grão
No mar de areia da minha existência
Facetas
Renata Idalgo
Uma
mulher tem múltiplas facetas
Às
vezes menina
Sapeca,
inconsequente,
Quase
delinquente
No
seu jeito infantil de ser
Uma
mulher tem múltiplas facetas
Às
vezes moça
Boba,
iludida
Sonhadora,
Timida
No seu jeito romântico de ser
Uma
mulher tem múltiplas facetas
Todas
às vezes mulher
Que
sonha com príncipes
E se
casa com sapos
No
seu jeito apaixonado de ser
Uma
mulher tem múltiplas facetas
Às
vezes, idosa
Que
lembra dos amores do passado
Que
respira a experiência
No
seu jeito saudoso de ser
Uma
mulher tem múltiplas facetas
A de
criança manhosa
A de
adolescente rebelde
A de
namorada grudenta
A de
esposa ciumenta
A de
mãe super protetora
A de
amada amante
A de
avó sabor de mel
A de
bisavó com recheio de mashmalow
A
faceta do andar
A faceta
do vestir
A
faceta do sentir
A
faceta do chorar
A
faceta do fingir
A
faceta do amar
Mulheres
de múltiplas facetas
Dominadoras
na vida
Libertárias
no mundo
Amadas
na alma
Desejadas no corpo
Criadas
na costela
Recriadas
na madre
Livres,
leves e soltas
Neste
universo azul
Onde
depositam seus óvulos cor de rosa
Na
atmosfera seminal
No
âmago do anseio masculino
Com
seus delírios e suas vontades
Surgem
elas
Princesas
Rainhas
Meretrizes
Sacerdotisas
Mulheres
de múltiplas facetas
Quem
um dia desvendará?
O menino no caminho
Renata Idalgo
Havia um menino no caminho
O menino era pobre
O menino era bobo
O menino era lobo
Havia um menino no caminho
O menino era
nobre
O menino era pardo
O menino era Leonardo
Havia um menino no caminho
O menino era alegre
O menino era sonho
O menino era Tonho
Havia um menino no caminho
O menino era triste
O menino era sírio
O menino era martírio
Havia um menino no caminho
O menino era anjo
O menino era alado
O menino era Aylan
Minha homenagem a Aylan, o menino sírio de três anos
que foi encontrado morto em uma praia na Turquia, e cuja foto comoveu o mundo e
se tornou símbolo da crise migratória.
Elementos
Renata Idalgo
Sou facho de luz
Espalhando
estrelas num tapete iluminado
Sou estrela cadente
Sou sol ,
sou fogo, sou gente
Que pula na roda
de circo ardente
Pra sorrir diferente
Sou água
Cristalina
que ecoa no leito dos rios
No braço do São
Francisco decadente
Que pena sou
gente
Que finge
que gosta descrente
Que dilui na
água solvente
Sou terra
Preta,
areia, molhada. Sou barro
Que lavra a
semente do meu ser
E
germina no meu ventre o teu querer
Que pena sou
pó
Do barro vim
e ao barro voltarei
Lamas do meu
viver
Sou ar
Na dança dos
ventos levito meu corpo
E deixo
circular a música do universo
No balançar
das minhas asas
Como um anjo
alado
Sou anjo,
sou pássaro
Quem sou?
Somos
elementos
No xadrez da
vida
Por um triz
Pra tentar
ser feliz
Na ladeira
da matriz
Pensando ser
imperatriz
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