ESCREVO A VIDA

ESCREVO A VIDA
ESCREVO A VIDA

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Poema DELA

Nasci menina, mulher e fêmea. Baixinha e sapeca.
Sorrio sempre um riso rosado com olhos de amêndoas
Às vezes canina,felina,mamífera e carnívora

Tenho lá meus dias de herbívora.

Sou assim.Mutante como Rita Lee.
Poderosa como Anita.
Poesia como Cora e Lispector.

Sou azul como Gal Costa e Vermelho como Fafá. 
Um dia cigana.Outro dia clássica.No outro enigmática
Sou fera ferida indomada.
Sou a purpura e o manto azul.imaculado.
Santa e profana.
Menina e Mulher.Amiga e Amante. 
Gatinha e loba.
Sou tudo o que você quiser. 


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Faço poesia pra não sofrer



Faço poesia na minha dor
Faço poesia pro seu gelo
Minha dor de cotovelo
Ensaio nos versos
A minha fome da ira
 Do seu abandono

Faço poesia pra passar
A falta que você me faz
Que você alimentou
Como um doce gostoso na minha boca
Que você tirou

Faço poesia pra tentar ser forte
Pra não mergulhar na sofrência
Do seu sumiço
Da ilusão que você  fez brotar
No meu coração

Por tão pouco tempo
Que nem o amor se completou
Que nem deu tempo
De nossos corpos se entenderem

Faço poesia pra esquecer
E tentar ser indiferente
Ao seu silêncio
Atordoante
Cortante como uma espada
 No meu sentimento

Faço poesia pra brincar com a minha  dor
Faço poesia pra viver depois da ilusão
Faço poesia pra não cair no choro
Que seu desprezo me traz
Faço poesia pra entender
Porque você foi embora
Sem dizer adeus

Faço poesia
Faço a vida
Aprendo a reviver
Do nada
Do caos
Na estrada
No mundo







sexta-feira, 13 de maio de 2016

Exposição "Ferreira Gullar"

fonte: Espaço BNDES



O Espaço Cultural BNDES apresenta a exposição “Ferreira Gullar”, uma mostra em homenagem aos 85 anos de trajetória do múltiplo artista maranhense. Com concepção e realização da Fase 10 Ação Contemporânea e curadoria de Cláudia Ahimsa e Augusto Sérgio Bastos, a exposição traça uma linha cronológica que se inicia no Maranhão e vem até os dias de hoje. 

Na Galeria BNDES o público poderá ver textos, vídeos, livros, objetos, fotografias, pinturas, colagens, letras de canções interpretadas por músicos da MPB e um trabalho inédito, criado em 1959, mas nunca apresentado ao público: o Poema Enterrado. Trata-se de uma instalação em madeira, com três metros de altura, por onde o visitante poderá entrar. 
A exposição contará com uma reprodução do ateliê do poeta, num espaço que convida a sentar e ler os livros publicados por Ferreira Gullar. Um painel de 37 metros apresenta documentos, fotografias, pensamentos, manifestos e datas importantes: a publicação de seu primeiro livro (1949), o ingresso no Jornal do Brasil (1956), a idealização do movimento Neoconcreto (1959), a criação do Livro Poema (1959), sua prisão na Ditadura (1968), o exílio para o Chile (1973), a publicação do Poema sujo, um dos principais poemas da língua portuguesa (1976), a posse na Academia Brasileira de Letras (2014) e a nova e atual produção em artes plásticas, com colagens em relevo, realizadas em metal e aço.  
É apresentado um Gullar multifacetado, muitas vezes desconhecido do grande público. Seu lado bem-humorado, por exemplo, é retratado por grandes cartunistas brasileiros; já sua obra dedicada a crianças e jovens aparece em núcleo infanto-juvenil. Complementam a mostra um ensaio inédito realizado pelo fotógrafo Marcelo Magalhães no ateliê do artista e, também, uma entrevista em vídeo, feita especialmente para o projeto, que será exibida em quatro monitores. 

MAIS SOBRE FERREIRA GULLAR

Batizado como José de Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. É poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta. Aos 19 anos, publicou com recursos próprios seu primeiro livro de poesia, Um pouco acima do chão, e dois anos mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade em que mora até hoje. Colaborou para jornais e revistas, escreveu peças de teatro, letras de músicas, diversos ensaios e publicou algumas das mais importantes obras da poesia brasileira como o Poema sujo, escrito na década 1970, período em que esteve exilado, e os livros A luta corporal (1954), Dentro da noite veloz (1975), Na vertigem do dia (1980), Barulhos (1987) e Muitas vozes (1999). Em 2010, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. Em 2012, as ilustrações que fez para seu livro Bananas podres deu a Gullar o Prêmio Jabuti, o primeiro que ganhou como ilustrador


domingo, 8 de maio de 2016

Porta do Oriente



Eu quero uma porta
A porta que olha para o Oriente
Constantinopla
Alexandria
Antioquia
Nicéia
Talvez

Eu quero um caminho
Onde a voz de Deus seja como o ruído  de muitas águas
E emerja da terra como  barro e areia em contas de  cristal
Onde  eu possa me prostrar com o rosto em terra
 E chorar as mazelas de viver
Na porta dourada
Da cidade velha de Jerusalém

Eu quero a seda
A seda da china
Quero aprender mandarim
Eu quero o cravo, a mostarda, a noz-moscada, a pimenta-do-reino
Eu quero a arte dos artesões bizantinos
Eu quero todas as cores do arco íris
Eu quero a India
Eu quero Gandhi
E Martin Luther King

Pode ser na Europa Medieval
Pode ser na Nova Roma
Istambul
Turquia , sei lá
Eu quero encontrar
A Porta do Oriente
Com seus mosaicos
Com seus ortodoxos
Com seu sumo sacerdote
Com todo seu ritual religioso

Eu quero ultrapassar as pedras das muralhas de Constantinopla
Com os turcos
Com os gregos
Com os romanos
Eu quero transcender
 E entrar pela porta do Oriente
Avançando dentro do meu inconsciente
Sádico e incrédulo
Dúbio e incoerente
De pensar
E filosofar
Na arte do viver
No semear
Na ceifa e na colheita

Pode ser

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Poema do Náufrago






Vento oriental

Que  se levanta do deserto
Forte, impetuoso, devastador
Sopra a tempestade
E quebra no coração dos grandes mares


Espírito que vem dos quatro ventos
Dar vida aos mortos no vale dos ossos secos
Sopra o hálito e o fôlego
Injeta  carne e sangue nas veias 


Eu te conduzi por grandes águas
Como capitão do teu destino
Icei a vela
Trouxe calmaria a tua tempestade

Mas duvidastes de mim
Colocaste  meu nome à prova
Como um vômito em vão

Deixarei teu barco ir
Junto à correnteza
Tuas mercadorias, teus bens e teus marinheiros
Se afundarão no seio dos grandes mares
Revoltosos como tua alma

Porque  te  assentaste na cadeira de Deus no meio dos grandes mares
E disseste: Que mal há?
Não passas de  homem e não Deus

Tu não enxergarás a luz do dia porque teu coração virou manto de trevas
E teu ventre alimento dos chacais
Porque te elevastes como um deus
E confiastes nas tuas riquezas e com elas se elevou o teu coração

Quem ousa ser maior que Deus?
Que louco será?













Por que as estrelas não caem?




A criança pergunta ao pai

Pai, por que as estrelas não caem?


Crianças sempre com perguntas tão diferentes e incríveis


O astrônomo olha pro céu e faz a mesma pergunta:


Ciência, me explica por que as estrelas não caem?


Estudiosos sempre trazem  na cabeça grandes pontos de interrogação


Quem terá a resposta?


A mulher que sempre pergunta mais, que é detalhista demais, tentará achar a resposta


Sobre as estrelas, sobre Gaia, sobre a mãe Terra  e sobre o infinito


A mulher geradora de vida


A virgem imaculada que concebeu sem pecado


A prostituta redimida que surgiu mais alva que a neve no meio do seu manto escarlate


A maga,a freira, a moça, a velha, a feiticeira. 


Perguntam: Por que as estrelas não caem?


Todas conseguem ver o que não se pode ver


Ouvem o que não se pode ouvir e não entendem o que é preciso entender


Lá na beira do rio, o índio olha pro céu e pergunta: 


Tupã, por que as estrelas não caem?


E ele sente o fluir da energia do universo


E logo vem na simplicidade do falar


No descortinar do espírito

Blowin'in the Wind


Soprando no vento




Um poder 

Uma energia misteriosa


Que sustenta tudo


E evita que o Cosmos entre em caos


Não é uma força sem sentido


É um poder pessoal 


O poder da criação


O poder da transformação


Por que as estrelas não caem?


A resposta é simples: Porque Ele não deixa 




sexta-feira, 15 de abril de 2016

Não quero nada pela metade


Não quero nada pela metade
Não quero amor pela metade
Não quero carinho pela metade
Não quero beijo pela metade
Não quero sexo pela metade

Se for pra ser a metade
Eu me basto por inteira
E me desnudo na teia do meu próprio desejo
No clímax do meu orgasmo
No meu cheiro
No meu tato
No meu ego
Serei meu próprio amante

Não quero nada pela metade
Marido pela metade
Namorado pela metade
Vinho pela metade
Sorvete pela metade

Eu sou inteira
Não fracionada
Eu sou intensa
Não camuflada

Eu sou  minha própria fera adormecida
Nos expurgos da minha alma
Que anseia por seu única
Por ser tua
Por ser mulher



terça-feira, 12 de abril de 2016

FERNANDO PESSOA







Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.
Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um. 

Saída


Renata Idalgo

Tudo tem uma saída
Um jeito
Um rumo
Um afeto
Um  afago

A saída está alí
Do outro lado da montanha
Na brisa leve
No mar revoltoso

A saída está longe
Há léguas de distância
Há 200 metros
Há 2 minutos

A saída está incerta
Ora segura
Ora perigosa
Ora fantasiosa

Do outro lado
Há uma saída
A saída dos magos
A saída dos frades
A saída dos duendes
A saída dos anjos
Que riscam o céu de estrelas com seus pés

A saída é logo alí
Depois do rio
Depois da fonte
Depois da fome
Depois do coito
Depois de tudo

Vou sair
Vou recomeçar
Vou sair
E me isolar
De novo
Na ostra do meu destino
Pra ser um grão
No mar de areia da minha existência


Facetas


Renata Idalgo

Uma mulher tem múltiplas facetas
Às vezes  menina 
Sapeca, inconsequente,
Quase delinquente
No seu jeito infantil de ser

Uma mulher tem múltiplas facetas
Às vezes  moça
Boba, iludida
Sonhadora, Timida
 No seu jeito romântico de ser

Uma mulher tem múltiplas facetas
Todas às vezes mulher
Que sonha com príncipes
E se casa com sapos
No seu jeito  apaixonado  de ser

Uma mulher tem múltiplas facetas
Às vezes, idosa
Que lembra  dos amores do passado
Que respira a experiência
No seu jeito saudoso de ser

Uma mulher tem múltiplas facetas

A de criança manhosa
A de adolescente rebelde
A de namorada grudenta
A de esposa ciumenta
A de mãe super  protetora
A de amada amante
A de avó sabor de mel
A de bisavó com recheio de mashmalow

A faceta do andar
A faceta do vestir
A faceta do sentir
A faceta do chorar
A faceta do fingir
A faceta do amar

Mulheres de múltiplas facetas
Dominadoras na vida
Libertárias no mundo
Amadas na alma
 Desejadas no corpo
Criadas na costela
Recriadas na madre
Livres, leves e soltas
Neste universo azul
Onde depositam seus óvulos cor de rosa
Na atmosfera seminal
No âmago do anseio  masculino
Com seus delírios e suas vontades
Surgem elas
Princesas
Rainhas
Meretrizes
Sacerdotisas

Mulheres de múltiplas facetas

Quem um dia desvendará?

O menino no caminho

Renata Idalgo


Havia um menino no caminho
O menino era pobre
O menino era bobo
O menino era lobo

Havia um menino no caminho
O menino  era nobre
O menino era pardo
O menino era Leonardo

Havia um menino no caminho
O menino era alegre
O menino era sonho
O menino era Tonho

Havia um menino no caminho
O menino era triste
O menino era sírio
O menino era martírio

Havia um menino no caminho
O menino era anjo
O menino era alado
O menino era Aylan

Minha homenagem a Aylan, o menino sírio de três anos que foi encontrado morto em uma praia na Turquia, e cuja foto comoveu o mundo e se tornou símbolo da crise migratória.

Elementos



Renata Idalgo



Sou  facho de luz
Espalhando estrelas num tapete iluminado
Sou  estrela cadente
Sou sol , sou fogo, sou  gente
Que pula na roda de circo ardente
 Pra sorrir diferente

Sou  água
Cristalina que ecoa no leito dos rios
No braço do São Francisco decadente
Que pena sou gente
Que finge que gosta descrente
Que dilui na água solvente

Sou  terra
Preta, areia, molhada. Sou barro
Que lavra a semente do meu ser
E germina  no meu ventre o teu querer
Que pena sou pó
Do barro vim e ao barro voltarei
Lamas do meu viver

Sou  ar
Na dança dos ventos levito meu corpo
E deixo circular a  música  do universo
No balançar das minhas asas
Como um anjo alado
Sou anjo, sou pássaro
Quem sou?

Somos elementos
No xadrez da vida
Por um triz
Pra tentar ser feliz
Na ladeira da matriz
Pensando ser imperatriz