Eu vi as sandálias do Mestre naquela terra
rachada e quente.
No deserto onde pisei.
Vi que ele deixou pegadas, densas, fundas e
maiores que as minhas.
Eu vi as sandálias do Mestre quando avistei
a praia
O mar estava tão límpido que formava espumas de ondas
que se aproximavam de meus pés
O Mestre andou sobre o mar com suas
sandálias
Ele caminhou no deserto com suas sandálias
Ele me carregou no colo com suas sandálias
Eu queria tocar nas suas sandálias
E secar seus pés com meus cabelos
E fazer
uma declaração de amor pra ele
E ficar ali, aos seus pés, contemplando sua
face
E aprendendo mais sobre Ele
Queria levantar e seguir as pegadas das
sandálias
Que me levarão a lugares que nunca imaginei
ir
China, India,
Afeganistão ......
Por tuas pisaduras somos sarados
Das enfermidades da alma, do ego, do
coração, do corpo e da mente
Dos recônditos da minha solidão
Das profundezas da minha alma
Dos meus mais íntimos erros
E da minha garganta profunda
Dos soluços que causam tosse
E das lágrimas que encharcam a minha face
Nas sandálias do Mestre encontrei seu
caminho
Que é o meu caminho
O caminho da luz
Das pegadas na areia
Das pisaduras que curam e saram feridas
Das sandálias que andaram sobre o mar
Do tempo que eu vivi
Que fui algo que gostaria de ser
Que fui algo que me arrependo de ter sido
Marcas na alma
Como pegadas na areia, na lama, na areia
movediça, no terreno arenoso e acidentado
Na terra fofa, na terra rachada do sertão e
do deserto
Eu caminhei na chuva e no sol
escaldante, no vento forte e na tempestade com relâmpagos e trovões assustadores
Sei que andei, ora rápido; ora devagar; ora
me arrastando; ora correndo
Sorrindo e chorando
Jogando flores no caminho
Ou buscando a flor seca no deserto da
resiliência
Eu fui.
Eu vivi
E segui as pisadas
E vi as sandálias do Mestre
Durante toda a minha vida
