ESCREVO A VIDA

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

As sandálias do Mestre




Eu vi as sandálias do Mestre naquela terra rachada e quente.
No deserto onde  pisei.
Vi que ele deixou pegadas, densas, fundas e maiores que as minhas.
Eu vi as sandálias do Mestre quando avistei a praia
O mar estava tão límpido que formava espumas de ondas que se aproximavam de meus pés

O Mestre andou sobre o mar com suas sandálias
Ele caminhou no deserto com suas sandálias
Ele me carregou no colo com suas sandálias
Eu queria tocar nas suas sandálias
Eu queria tirar suas sandálias e derramar alabastro em seus pés
E secar seus pés com meus cabelos
E fazer uma declaração de amor pra ele
E ficar ali, aos seus pés, contemplando sua face
E aprendendo mais sobre Ele

Queria levantar e seguir as pegadas das sandálias
Que me levarão a lugares que nunca imaginei ir
 China, India, Afeganistão ......

Por tuas pisaduras somos sarados
Das enfermidades da alma, do ego, do coração, do corpo e da mente
Dos recônditos da minha solidão
Das profundezas da minha alma
Dos meus mais íntimos erros
E da minha garganta profunda
Dos soluços que causam tosse
E das lágrimas que encharcam a minha face

Nas sandálias do Mestre encontrei seu caminho
Que é o meu caminho
O caminho da luz
Das pegadas na areia
Das pisaduras que curam e saram feridas
Das sandálias que andaram sobre o mar
Do tempo que eu vivi
Que fui algo que gostaria de ser
Que fui algo que me arrependo de ter sido

Marcas na alma
Como pegadas na areia, na lama, na areia movediça, no terreno arenoso e acidentado
Na terra fofa, na terra rachada do sertão e do deserto
Eu caminhei na chuva e no sol escaldante, no vento forte e na tempestade com relâmpagos  e trovões assustadores
Sei que andei, ora rápido; ora devagar; ora me arrastando; ora correndo
Sorrindo e chorando
Jogando flores no caminho
Ou buscando a flor seca no deserto da resiliência
Eu fui.
Eu vivi
E segui as pisadas
E vi as sandálias do Mestre
Durante toda a minha vida


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Sopro


Sou casa de sentimentos profundos
Porta entreaberta para reconhecer
 O que me traz paz
O que me  traz guerra
Suspiro nas entrelinhas
Pensamentos
E alguém que os desvende
Á espera do milagre da criação

No recôndito da solidão
Eu saio à luz da lua
Pra ser sereia , bôto cor de rosa, Poseidon
Pirata,descobridor dos 7 mares
Jaqueline Onassis
Poderosa Ísis ou apenas a deusa das águas


No maremoto da vida
Sou marinheira errante
Camelo no deserto
Lamparina no sertão
Violino cigano
E dança de salão

Sou casa de sentimentos bons
Onde mora a gratidão
E o pé no chão
Num ramalhete de desejo
Ora frios,ora quentes


Calientes
Ora pérfidos
Ora puritanos
Ora gente
Ser humano
Indecente
Malévolo
Incoerente


No meu casulo
No muro das lamentações
No escuro das perdições
No túnel
No útero
Sou casa inabitada
Nômade
No único momento
De viver 
Sonhar
Respirar
e adormecer