Poema dedicado a todas as mulheres que sofreram violência doméstica e
que passaram por relacionamentos abusivos
A rosa púrpura
Escarlate no manto
A carne vermelha sangrando
Era encarnado o batom ou carmim?
Cálice, Cálice, Cálice
Era a Ópera de Carmem ou Madame Bovary?
Ou Ana Katherina ?
Era Russo ou Romeno?
Eram gotas
De sangue
Gotas de orvalho
Cálice Cálice
Aqui pulsa a vida
Nos meus pulsos circulam as veias
Dilatadas, trêmulas, azuis
Como linhas tortas
Num curto circuito
Cálice, Cálice
Cale a boca
Jogue o copo no chão
MAIS não jogue a pedra
Não jogue na CARA da Geny
Calice, cálice mulher
Cale a tua dor
Cale o teu sexo
Cale o teu desejo lascivo de se
ter
E de ser possuída sem pudor
Calice, cálice
Brindemos juntos com vinho
Suave, Seco
Do Porto, chileno
Carbernet Savignon
Cálice borbulha
Como um caldeirão
Quente, fervendo
Amargo ou Doce
Puro ou diluído
Rascante ou sabor pimenta
Tua vida é assim
Um caldeirão cheio de pólvora
Prestes a explodir
Cálice
ou fale sempre o que puder
Que o meu amor não espera pra acontecer
E se esconde nesta tinta vermelha
Em que desenho tua boca
Carnuda
Pra me pertencer
E não pra me agredir
Cálice
Psiu Cálice
No seu peito eu me recosto
Pra dormir ou pra sonhar
Ou pra sentir o teu cheiro
Ou pra penetrar nos teus membros
E não pra me maltratar
Com palavras de baixo calão
Esse poema é só pra dizer
NÃO
Cálice
NÃO CALE-SE
MULHER

