ESCREVO A VIDA

ESCREVO A VIDA
ESCREVO A VIDA

domingo, 23 de abril de 2017

Ser Jornalista




Quando eu tinha 10 anos, eu não entendia porque escrevia cadernos de perguntas para meus colegas responderem e nem porque escrevia contos e poesias e desenhava flores nos cadernos e colecionava figurinhas de álbuns de televisão e esporte.

Aos 11, Dona Janete, a professora de Educação Artística  , sardenta, gordinha e com seu cabelo cor de fogo pediu um desenho à turma. A pergunta era: Onde você queria estar nesse momento?
Todos meus colegas desenharam camas, ventiladores, porque queriam estar dormindo. Eu? Eu desenhei o Pão de açúcar com os bondinhos indo e vindo e uma asa delta bailando no ar. Dona Janete,  e  me olhou surpresa e disse:

- Menina, você sonha alto!

Depois eu mostrei pra ela outro desenho: Era uma árvore cheia de frutos, mas essa árvore tinha uma face e ela cantava e eu desenhei as notas musicais saindo da boca daquela árvore.
Dona Janete me olhou e pensou de novo: o que será que essa menina vai ser quando crescer? Bondinho, asa delta, Pão de açúcar, árvore que fala e que canta, que profissão ela terá que pode incluir tudo isso?
A resposta era tão fácil e foi se descortinando ao longo dos anos

Aos 12, eu  ganhei um daqueles gravadores grandes, que a gente levava a tira colo, com aquelas teclas duras e as fitas cassetes que eu virava de um lado para o outro. Gravava, gravava e gravava tudo. Escrevia, escrevia e escrevia tudo tanto no caderno com na velha verde máquina portátil de datilografia.

Minha mãe queria que eu fosse médica, médica pediatra, mas eu brincava com o estetoscópio da boneca e largava de mão pra ouvir rádio, gravar novelas na Tv, músicas e datilografar muitos textos e poesias.

Ah, Dona Janete, minha saudosa professora de Educação Artística. O que eu deveria ser quando crescer?
Talvez professora, minha primeira tentativa.

Talvez, talvez, talvez jornalista

Seria isso Dona Janete?
Estariam explicados os desenhos? O Pão de Açúcar, a asa delta e a árvore cantora?
Claro, Dona Janete.
Menina, você sonha alto.

O jornalista sonha alto. Ele pode estar no topo do Pão de Açúcar, voando na asa delta e vendo a árvore falar e cantar, porque tudo é notícia, tudo é informação. Tudo é Comunicação.

Jornalista é o curioso, o amado, o odiado, o amante dos livros e das madrugadas.
O dono da pauta do seu próprio destino.
O amigo dos políticos, ou o terror deles.

O  porta voz da sociedade e da comunidade lá do morro, onde falta tudo.
Ele é a voz da Cultura, da Música, da Economia, do Turismo, da Gastronomia, da vida diária do cidadão, da Policia,  Bandido, da Guerra urbana e civil. Da lei e da clandestinidade. Jornalista quer a verdade, quer a fonte dos fatos apurados, gravados, esmiuçados, investigados e muitas vezes cortados na edição
A sede da justiça, do dever cumprido, do fechamento do jornal, sofrido, das noites de sono perdidas e da cerveja com os amigos.

Esse é o jornalista, atento, detalhista, que faz do lead uma história de conquista

Que conhece vários personagens e enfrenta situações da alegria a dor e pode ouvir  e ver suas matérias se transformarem em grandes histórias, que a humanidade fez questão de deixar registrada nas suas letras cheias de garranchos de tanto escrever rápido.

Ah, Dona Janete, se eu continuasse professora, minha letra ia sempre ficar redondinha, bonitinha, mas ela perdeu sua graciosidade nos garranchos frenéticos do jornalismo e meus dedos ficaram com tendinite dos teclados do computador e meu olhar focou nos óculos  e todos os meus desenhos de infância foram parar na lente da minha máquina fotográfica.

Pois é Dona Janete, eu cresci e sonhei alto.

Eu cresci e fui jornalista.

Essa é minha homenagem ao jornalista Rujany Martins e a todos os jornalistas que fazem a imprensa  mais digna, não aos da imprensa marron, mas o jornalismo de verdade, que existe muito ainda, apesar dos pesares e que persiste ao longo das décadas e mudanças que acontecem no nosso país. Eu encerro com a frase do jornalista, escritor, sociólogo e ativista político peruano José Carlos Mariátegui que diz o seguinte.

O jornalista deve ser um combatente, não um espectador"
(José Carlos Mariátegui)

domingo, 9 de abril de 2017

A menina




A menina

Eu sou essa menina

A menina que canta, que dança, que fala poesia
A menina que escreve coisas do céu e da terra

Eu sou essa menina
Sapeca, abusada, iluminada

A menina que teve que crescer rápido na vida
Mas não na estatura
A menina do cabelo de sol e dos olhos de esperança

Eu sou essa menina que faz da música sua trilha sonora 
Do riso vai da ópera ao samba enredo
Da fé faz o seu sustento e coluna

Eu sou a menina cigana
A menina apaixonada e colorida
A que gosta do colo e da massagem
A que recebe mensagens

A menina dos olhos de Deus
E da vontade dos homens

Eu sou a menina que sabe ser meiga,
ousada,exagerada,
 charmosa ou envolvente

A menina que tem sonhos
A menina que ora, mas que comete pecados

A menina que gosta dos capitães
E príncipes encantados
Mas que também não tem medo da fera

Eu sou a menina dos versos
Da performance internacional
Da cara de francesa
Do fingir ser indefesa

Eu sou essa menina
Eu sou aquela
Eu sou a outra
Eu sou a mesma menina de cachinhos castanhos olhando da janela
O infinito

A menina que conversa com as flores
E com os animais

Eu sou a nata
O melhor do leite
E pra meu deleite 
Não me canso
de ser sempre

Essa menina