ESCREVO A VIDA

ESCREVO A VIDA
ESCREVO A VIDA

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Faço poesia pra não sofrer



Faço poesia na minha dor
Faço poesia pro seu gelo
Minha dor de cotovelo
Ensaio nos versos
A minha fome da ira
 Do seu abandono

Faço poesia pra passar
A falta que você me faz
Que você alimentou
Como um doce gostoso na minha boca
Que você tirou

Faço poesia pra tentar ser forte
Pra não mergulhar na sofrência
Do seu sumiço
Da ilusão que você  fez brotar
No meu coração

Por tão pouco tempo
Que nem o amor se completou
Que nem deu tempo
De nossos corpos se entenderem

Faço poesia pra esquecer
E tentar ser indiferente
Ao seu silêncio
Atordoante
Cortante como uma espada
 No meu sentimento

Faço poesia pra brincar com a minha  dor
Faço poesia pra viver depois da ilusão
Faço poesia pra não cair no choro
Que seu desprezo me traz
Faço poesia pra entender
Porque você foi embora
Sem dizer adeus

Faço poesia
Faço a vida
Aprendo a reviver
Do nada
Do caos
Na estrada
No mundo







sexta-feira, 13 de maio de 2016

Exposição "Ferreira Gullar"

fonte: Espaço BNDES



O Espaço Cultural BNDES apresenta a exposição “Ferreira Gullar”, uma mostra em homenagem aos 85 anos de trajetória do múltiplo artista maranhense. Com concepção e realização da Fase 10 Ação Contemporânea e curadoria de Cláudia Ahimsa e Augusto Sérgio Bastos, a exposição traça uma linha cronológica que se inicia no Maranhão e vem até os dias de hoje. 

Na Galeria BNDES o público poderá ver textos, vídeos, livros, objetos, fotografias, pinturas, colagens, letras de canções interpretadas por músicos da MPB e um trabalho inédito, criado em 1959, mas nunca apresentado ao público: o Poema Enterrado. Trata-se de uma instalação em madeira, com três metros de altura, por onde o visitante poderá entrar. 
A exposição contará com uma reprodução do ateliê do poeta, num espaço que convida a sentar e ler os livros publicados por Ferreira Gullar. Um painel de 37 metros apresenta documentos, fotografias, pensamentos, manifestos e datas importantes: a publicação de seu primeiro livro (1949), o ingresso no Jornal do Brasil (1956), a idealização do movimento Neoconcreto (1959), a criação do Livro Poema (1959), sua prisão na Ditadura (1968), o exílio para o Chile (1973), a publicação do Poema sujo, um dos principais poemas da língua portuguesa (1976), a posse na Academia Brasileira de Letras (2014) e a nova e atual produção em artes plásticas, com colagens em relevo, realizadas em metal e aço.  
É apresentado um Gullar multifacetado, muitas vezes desconhecido do grande público. Seu lado bem-humorado, por exemplo, é retratado por grandes cartunistas brasileiros; já sua obra dedicada a crianças e jovens aparece em núcleo infanto-juvenil. Complementam a mostra um ensaio inédito realizado pelo fotógrafo Marcelo Magalhães no ateliê do artista e, também, uma entrevista em vídeo, feita especialmente para o projeto, que será exibida em quatro monitores. 

MAIS SOBRE FERREIRA GULLAR

Batizado como José de Ribamar Ferreira, Ferreira Gullar nasceu em São Luís do Maranhão em 10 de setembro de 1930. É poeta, crítico de arte, tradutor e ensaísta. Aos 19 anos, publicou com recursos próprios seu primeiro livro de poesia, Um pouco acima do chão, e dois anos mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade em que mora até hoje. Colaborou para jornais e revistas, escreveu peças de teatro, letras de músicas, diversos ensaios e publicou algumas das mais importantes obras da poesia brasileira como o Poema sujo, escrito na década 1970, período em que esteve exilado, e os livros A luta corporal (1954), Dentro da noite veloz (1975), Na vertigem do dia (1980), Barulhos (1987) e Muitas vozes (1999). Em 2010, ganhou o Prêmio Camões pelo conjunto de sua obra. Em 2012, as ilustrações que fez para seu livro Bananas podres deu a Gullar o Prêmio Jabuti, o primeiro que ganhou como ilustrador


domingo, 8 de maio de 2016

Porta do Oriente



Eu quero uma porta
A porta que olha para o Oriente
Constantinopla
Alexandria
Antioquia
Nicéia
Talvez

Eu quero um caminho
Onde a voz de Deus seja como o ruído  de muitas águas
E emerja da terra como  barro e areia em contas de  cristal
Onde  eu possa me prostrar com o rosto em terra
 E chorar as mazelas de viver
Na porta dourada
Da cidade velha de Jerusalém

Eu quero a seda
A seda da china
Quero aprender mandarim
Eu quero o cravo, a mostarda, a noz-moscada, a pimenta-do-reino
Eu quero a arte dos artesões bizantinos
Eu quero todas as cores do arco íris
Eu quero a India
Eu quero Gandhi
E Martin Luther King

Pode ser na Europa Medieval
Pode ser na Nova Roma
Istambul
Turquia , sei lá
Eu quero encontrar
A Porta do Oriente
Com seus mosaicos
Com seus ortodoxos
Com seu sumo sacerdote
Com todo seu ritual religioso

Eu quero ultrapassar as pedras das muralhas de Constantinopla
Com os turcos
Com os gregos
Com os romanos
Eu quero transcender
 E entrar pela porta do Oriente
Avançando dentro do meu inconsciente
Sádico e incrédulo
Dúbio e incoerente
De pensar
E filosofar
Na arte do viver
No semear
Na ceifa e na colheita

Pode ser